sexta-feira, fevereiro 25, 2005
Quando iniciei as aulas da disciplina de Educação a Distância não tinha ideias precisas acerca das potencialidades deste tipo de ensino nem das suas variantes. As aulas foram decorrendo, e através das indicações da professora, dos restantes colegas e das pesquisas efectuadas constatei aplicações concretas e possibilidades da sua utilização.
As solicitações de formação ao longo da vida são mais prementes, numa sociedade em evolução constante. Numa Sociedade do Conhecimento os mais aptos são aqueles que melhor e mais rápido acesso têm à informação. Assim sendo, a modalidade de ensino E-Learning, com a generalização da Internet, terá um amplo campo de implementação.
Nesta altura da evolução da Humanidade, e descontando algumas desigualdades ainda não ultrapassadas, um cidadão de qualquer país do mundo pode aceder ao saber, não necessitando de se deslocar fisicamente aos locais onde é ministrado.
É interessante notar que a Worl Wide Web deve o seu nascimento ao propósito da partilha de informação e colaboração entre cientistas de diferentes países e com treinados a abordar os problemas de diferentes formas (a diversidade permite produzir melhores soluções).
A possibilidade de ter acesso ao ramo de saber que a cada um interessa, a possibilidade de adquirir conhecimentos mais profundos em áreas específicas, a possibilidade de poder contactar com especialistas são mais valias que a Internet proporciona a cada ser humano.
No entanto, existe a necessidade de cada vez mais as Instituições investirem na elaboração de materiais específicos e destinarem meios humanos para atenderem às solicitações dos formandos.
Quanto aos que pretendem aceder ao conhecimento por esta via, parece-me que terão de ser mais autónomos e motivados do que é necessário quando frequentam cursos no ensino regular. A forma de encarar a aprendizagem terá de mudar, sendo importante que o aprendiz se envolva cada vez mais na sua própria aprendizagem e que disso tenha consciência.
Penso que o modelo tradicional de escola terá sempre o seu lugar, em especial no que toca à formação básica e inicial (porque será sempre fundamental a socialização das crianças e dos jovens), mas também cada vez a mais é necessária a formação ao longo da vida, e aí sim, penso que a Educação a Distância, em particular, o E-Learning, tem um papel fundamental: a formação pode ser realizada ao ritmo e de acordo com a disponibilidade de cada formando.
Quanto aos formadores envolvidos no ensino de cariz do E-Learning terão de desenvolver novas competências para superarem os desafios colocados por este tipo de ensino e para ajudarem aos alunos a ultrapassarem as dificuldades que forem surgindo, porque é bastante diferente contactar com alguém directamente, em que a comunicação se estabelece pela palavra, pela expressão facial e corporal, pelo tom de voz e em que existe feedback imediato, ou através da palavra escrita (fóruns, mensagens) ou mesmo voz (por telefone). Talvez o desenvolvimento acelerado dos novos meios de comunicação permita, em poucos anos, a vulgarização das vídeo-conferências (afinal a Internet tem pouco mais de dez anos), que eliminariam algumas das desvantagens mencionadas atrás.
Evolução tecnológica
A Educação a Distância inicia-se com a implementação dos serviços postais, no século XIX e a sua evolução segue de perto a evolução dos meios de comunicação. Assim, a “distância” entre o formando e o formador foi diminuindo, à medida que novos meios de comunicação puderam ser utilizados, quer por serem mais rápidos (o telefone ou a televisão mais rápidos que o correio) quer por serem mais apropriados na transmissão dos conhecimentos (as cassetes e/os vídeos porque permitem rever os conteúdos) quer por serem mais adequados ao tipo de formando (a rádio, na formação de pescadores, caso referido pela professora).
Mas o que é evidente é que cada vez mais pessoas procuram este tipo de ensino, quer por necessidades de formação inicial, mas principalmente por formação complementar ou contínua. Parece-me que não será abusivo considerar que o avanço das tecnologias da comunicação permitiu que mais pessoas acedessem à informação, à aprendizagem e isso conduziu a avanços no conhecimento e em consequência a novos saberes e novas tecnologias, em particular novas tecnologias de comunicação.
Nos últimos dois séculos, a Humanidade assistiu a várias transformações drásticas do modus vivendi, que se iniciou com a revolução industrial em meados do século dezanove, continuou com a revolução tecnológica do século XX que por sua vez foi sofrendo vários saltos qualitativos ao longo dos últimos cinquenta anos, que contribuíram, de uma maneira decisiva para a sua transformação naquilo que hoje comummente se denomina de Aldeia Global.
Se antes da introdução do comboio, era possível viajar, no máximo, a cerca de 13 km/h, o que dificultava sobremaneira a comunicação, a troca de ideias e de informações entre pessoas de diferentes comunidades, hoje para velocidade média por viagem é muito, muito superior e os contactos podem realizar-se por meios que permitem a comunicação em tempo real com, mesmo com interlocutores do de outros continentes. Li durante a semana, a entrevista a um dos responsáveis da Organização Mundial de Saúde pelo estudo do vírus responsável pela Pneumonia Atípica, que revelou que durante a crise estiveram onze laboratórios, de vários continentes a trabalhar no desenvolvimento de uma vacina. Estando a trabalhar em conjunto, era fundamental trocar opiniões e novos conhecimentos em tempo real, e fizeram-no, utilizando a Internet, tendo conseguido descobrir o código genético do vírus em pouco mais de um mês. Considero este exemplo muito ilustrativo das vantagens dos novos meios de comunicação. Alguém disse que a internetização está a acontecer em todos os domínios e que cada homem se está a tornar um homo planetarius. É evidente que a evolução tecnológica não traz só vantagens, também existem perigos, por exemplo, o de um controle ilícito das actividades de cada ser humano através das tecnologias, na forma de um “Big Brother”, apresentado na novela 1984 de George Orwell.
Eu e o E-Learning
Uma das actividades realizadas na disciplina prendeu-se com a utilização de uma plataforma de aprendizagem, a Learning Space.
O primeiro facto a reter é a importância da existência de uma ligação de acesso rápido à Internet. Após este primeiro aspecto ter sido resolvido, colocaram-se-me alguns problemas técnicos quanto à instalação da plataforma, tendo, no entanto, contado sempre com a ajuda da professora para os resolver.
Depois de ter a ligação adequada e os problemas técnicos resolvidos, iniciei a actividade proposta, que consistia na discussão de alguns tópicos propostos pela professora.
As ilações que tirei prendem-se com a necessidade de ser mais organizada e disciplinada. Pelo facto de não existir horário a cumprir, unicamente prazos, tive a tendência de ir adiando o trabalho. A gestão do tempo entre o trabalho e o estudo nem sempre é fácil, particularmente, quando existem muitas solicitações da parte daquele.
Outros aspecto, e que teve a sua quota parte no “adiar” das intervenções na discussão teve origem na necessidade de pesquisar, reflectir e escrever os comentários. Devo admitir que o escrever foi o que mais me custou porque, sendo a resposta publicada, é necessário haver um cuidado especial na sua elaboração, quer na forma quer no conteúdo, tendo sido, por vezes, bastante complicado, transpor para “o papel” as ideias que queria. No entanto, considero que este também foi um aspecto muito positivo, permitindo-me readquirir o hábito de elaborar textos, aspecto não muito desenvolvido para quem lecciona Matemática.
quinta-feira, fevereiro 24, 2005
Experiência Blogue
A elaboração do blogue foi um dos aspectos que mais me cativou nas actividades desenvolvidas. O “fazer”, experimentar, testar, alterar e avaliar imediatamente como ficava on-line, e o descobrir as potencialidades deste tipo de página pessoal foi muito interessante. Este trabalho também teve outro aspecto muito positivo, no que toca à inter-ajuda entre os colegas, tendo-os sempre encontrado disponíveis para me ajudarem nos aspectos técnicos.
Quanto ao conteúdo do meu blogue:
Apesar de, na apresentação do blogue, referir que pretendia que este fosse um espaço de reflexão acerca do E-Learning, transformei-o num espaço informativo, acerca das dificuldades, descobertas e pesquisas que ia fazendo.
Também não me foi possível (por falta de organização e disciplina mental, no essencial) torná-lo um diário digital.
No entanto, foi uma experiência muito agradável e enriquecedora. O ter conhecido e utilizado esta “ferramenta” terá futuramente impacto na minha maneira de interagir com as novas tecnologias da comunicação e poderei integrá-la na minha actividade profissional.
quarta-feira, fevereiro 23, 2005
Condicionamentos ao e-Learning
Segundo José Bidarra, no artigo publicado na revista "E-Learning para E-Formadores" da TecMinho, o termo "distância", utilizado no contexto de "ensino a distância", tem actualmente uma nova carga semântica, que o liga ao "atraso" no tempo de resposta dos sistemas em rede.
No momento actual, esta questão pode condicionar bastante a divulgação de sistemas de ensino em e-Learning, porque segundo os dados da Autoridade Nacional de Comunicações, até ao 2º trimestre de 2004, se 26% dos portugueses estavam ligados à Net, só 6,3% dos portugueses tinham acesso à banda larga. Dados recolhidos no Suplemento Especial da revista Visão, nº 623.
Duas citações
- "L´éducation doit viser à aire de chaque homme un autodidacte, celui qui prend en mains ses destinées intelectuelles, morales et spirituelles." P. Carré
- "... e-Learning is not about technology, is about peoples, peoples skills, opportunities ..." Rosenberg
terça-feira, fevereiro 15, 2005
Ofício privilegiado
"A necessidade de transmitir conhecimento e competências, e o desejo de as adquirir são constantes da natureza humana. Mestres e discípulos, ensino e aprendizagem, deverão a continuar a existir enquanto existirem sociedades [...] A computação, a teoria da informação e o acesso à mesma, a ubiquidade da Internet e da rede global, envolvem muito mais do que uma revolução tecnológica. Implicam transformações de consciência, de hábitos de percepção e de expressão [...] O impacto sobre o processo de aprendizagem é já capital [...] [Contudo] a aura carismática do professor inspirado, o romance da persona no acto pedagógico, perdurão certamente [...] a sede de conhecimento, a necessidade profunda de compreender, que estão inscritas no melhor dos homens e das mulheres. Tal como a vocação de professor. Não há ofício mais privilegiado."
in "As Lições dos Mestres", página 145
Livro de George Steiner publicado pela Gradiva
sábado, fevereiro 12, 2005
Motor de busca
Um motor de busca por conteúdos, mas com a possibilidade de ser experimentado durante um certo período de tempo.
O motor de busca chama-se Grokker.
Foi indicado por Roberto Carneiro, na conferência "Viver e Trabalhar na Soiedade de Informação" do dia 11 de Fevereiro, que a Filomena teve a amabilidade de divulgar.